quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A casa da árvore.

À saudade dei guarida

Quando olhei pela janela
E vi lá longe a casinha
Com crianças dentro dela
Abrigo da minha infância
Fui feliz vivendo nela

A morada tão singela

Rodeada de fartura
Tinha muita criação
Mata verde, flor madura
Um cheiro de alfazema
Orvalhando a noite escura

A esperança tão pura

Desfrutava do sossego
Chuva forte toda noite
Sapo e rã dentro do rego
Cantoria não faltava
Sapo cantor tinha emprego

Era grande o aconchego

Mas tudo virou lembrança
Do meu tempo de menino
Somente a memoria alcança
E quando a saudade volta
Eu volto a ser criança

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Chuva no sertão

Eu ainda me lembro da verêda
Onde a mata cinzenta crepitava
A coivara ardia e fumaçava
Quando ao ceu ascendia a labarêda
Cajarana não tinha nem azêda
Nosso gado bebia no oitão
A salobra do velho cacimbão
Era o sumo da vida que sofria
Mas enfim despontava alegria
Vendo a chuva cair no meu sertão


Escapava da sede o gado magro
No terreiro,um manto de babuja
No barreiro o resto d'agua suja
Se enchia da vida que consagro
Era o fim de um triste descalabro
Que maltrata há tempos nosso chão
Me encanta lembrar do meu ‌rincão
Emotivo, saudoso, assim me lembro
Esperando fartura após dezembro
Vendo a chuva cair no meu sertão

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A reforma política

As reformas de base, promoviam
Liberdade e pujança no futuro
Mas sofreram de cima golpe duro
As elites covardes não queriam
Só cabeças pensantes anteviam
Ditadura oprimindo nossa gente
Evitar essa chaga novamente
Só se faz com reforma do estado
O Brasil só supera o seu passado
Com reforma política no presente

Inácio

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Galope no mar

Nos mares bravios imensos cardumes
Singrando velozes quais sombras inversas
Semeiam nas águas azuis submersas
Colosso de vida, infindos volumes
Procuram abrigos nas algas verdumes
Deleites que tantos irão devorar
Somente um banquete pode mitigar
O algoz violento  carrasco tirano
O peixe é supremo no azul do oceano
Nos dez de galope na beira do mar

Inácio Neto


Viver sem culpa

Há por certo em quase tudo
Uma lição exemplar:
Que não somos um escudo.
Nada sei, mas  não me iludo.
Quer viver? Tem que  arriscar.

Não vale perder seu tempo
Em grandes ponderações.
Viva então cada momento,
Alivie o pensamento,
Não se guarde em ilusões.

Que tiver de ser seremos.
Importa mais o crescer.
No caminho aprendemos
A moral que não regemos:
Não há culpa por viver.

Inácio Neto

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A força do povo.

A Pátria clama por bravos audazes
Renitentes na batalha em curso
Agrupados ao vital esforço
De conter estes cães vorazes

Não importa se há cruel recurso
Lutaremos no calor dos gases
Assomemos aos heróis tenazes
Aliados em um só discurso

Se a batalha resultar ingrata
Uma grande nação democrata
Terá meios de se redimir

Não devemos temer os canhões
Nem bravatas de torpes vilões
Mas lutar, contrapor, resistir.

Inácio Neto com Dilma 13.

sexta-feira, 29 de março de 2013

O Rio da vida
 
Nossa vida é como um rio
no declive da descida:
as águas são as saudades
de uma esperança perdida,
e a vaidade a espuma
que fica à margem da vida.

Dimas Batista Patriota - Itapetim - PE

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A enchente dos anos


A enchente dos anos foi chegando
Com trovões e borrascas violentas
No volume das águas pardacentas
Meu açude de sonhos foi vazando
Vi meu tempo de jovem se afogando
No remanso do poço da idade
E a pilastra da ponte da saudade
Se partiu pelo meio e me pegou
A enchente dos anos carregou
O açude da minha mocidade

José Luiz Neto – Mossoró - RN
 
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Uma onda de saudade

De repente o mar da juventude
Recuou tão veloz sua maré
Naufragando no peito minha fé
Pois a onda do tempo à praia ilude
Tsunami de grande altitude
Destruiu a jangada dos meus dias
Afogou a esperança em águas frias
Não havia mais sonhos pra pescar
Numa vaga lembrança fui buscar
A espuma das minhas alegrias

Inácio Neto – Natal-RN

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Aaron Swartz

 
“Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.
Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.
Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável.
“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.
Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo.  E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.
Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.
Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.
Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.
Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.
Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access.
Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?
Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.