domingo, 28 de fevereiro de 2016

Chuva no sertão

Eu ainda me lembro da verêda
Onde a mata cinzenta crepitava
A coivara ardia e fumaçava
Quando ao ceu ascendia a labarêda
Cajarana não tinha nem azêda
Nosso gado bebia no oitão
A salobra do velho cacimbão
Era o sumo da vida que sofria
Mas enfim despontava alegria
Vendo a chuva cair no meu sertão


Escapava da sede o gado magro
No terreiro,um manto de babuja
No barreiro o resto d'agua suja
Se enchia da vida que consagro
Era o fim de um triste descalabro
Que maltrata há tempos nosso chão
Me encanta lembrar do meu ‌rincão
Emotivo, saudoso, assim me lembro
Esperando fartura após dezembro
Vendo a chuva cair no meu sertão